Emoções

Mulher, sexo frágil? Que mentira!

Olá amigas leitoras, sou Nelson Xavier e a partir de agora lhes peço licença para periodicamente entrar em suas vidas e trocarmos dois dedinhos de prosa. Nesta série de artigos trataremos de assuntos variáveis buscando refletir sobre o universo feminino – necessidades, dificuldades, lutas, dicas e reflexões para a construção de dias melhores em nossas vidas. Em nossa estreia, quero me ater fazendo uma homenagem ao verdadeiro sexo forte, que são vocês as mulheres.

No livro O Código de Da VinceDan Brown destaca o papel da mulher na antiguidade, tendo até o papel importante de Divindade Criadora e não era para menos, visto que as sociedades primitivas dependiam da mulher para tudo, e aqui não destaco apenas o papel da gravidez e do nascimento. A mulher da antiguidade era responsável por quase tudo na tribo (acredito que na sociedade moderna pouca coisa tenha mudado), pois a tal sexo frágil, além de trazer ao mundo – depois de carregar nove meses um ser em seu ventre, desempenhava variadas funções, desde cuidados com os recém-nascidos, sua educação e sua participação efetiva nas atividades da vida tribal.

Também era a mulher que preparava a terra, semeava, cuidava da lavoura, colhia, preparava o alimento e servia a todos. Sua tarefa estava também vinculada aos cuidados com os doentes e idosos e quando os homens saiam para a caça (única coisa que faziam), era ela a responsável pela defesa da tribo. Em várias imagens de comunidades tribais encontraremos a mulher carregando os filhos, as trouxas e todos os badulaques pertinentes enquanto o homem carrega apenas o instrumento de caça.

Com o passar do tempo, o homem submeteu a mulher pela força e deu a ela um valor semelhante a um escravo. E não é à toa que a herança judaico-cristã nos deixou um legado machista, comparando a mulher à criança e ao servo (os três tinham funções semelhantes); e foi na própria interpretação da Gênese Mosaica que homens encontraram no mito de Adão e Eva a justificativa para mulher ser subserviente ao homem; pois Eva (representando todas as mulheres) foi tirada da costela de Adão (representando todos os homens), sendo por isto inferior e devendo ao homem obedecer.

O machismo judaico teve tanta força, que embora houvesse condenação para o ato de adultério (os adúlteros morreriam à pedradas); o homem não era considerado adúltero caso fosse solteiro e a mulher fosse casada. E também os machos tinham a possibilidade de conduzir suas esposas ao pequeno sinédrio caso suspeitasse que ela poderia o estar traindo (e recordemos que não era preciso nenhum tipo de prova, apenas a leve desconfiança). A mulher então, depois de denunciada, seria interrogada, apanhando, tendo suas vestes rasgadas em público, e se não confessasse teria que beber das águas amargas. Caso a mulher assumisse a culpa, seria abandonado pelo marido na miséria e ninguém da comunidade iria lhe ajudar. Caso permanecesse firme dizendo que não traiu beberia as águas amargas.

Reza a lenda que se a mulher não fosse culpada, ela sobreviveria. Diga-se de passagem, que as águas amargas, no processo de sua preparação, se tornava letal; ou seja, o homem sempre tinha razão. Após a morte de sua esposa, estaria de posse de todos os bens e livre para se casar de novo. Depois da conversão de Saulo de Tarso ao Cristianismo, ele deixou grafado em suas cartas que a mulher não poderia se manifestar na comunidade religiosa, apenas quando chegasse a casa, deveria tirar suas dúvidas com o marido…

Com a formalização da igreja, a mulher acabou sendo perseguida em muitas fases: os pais da Igreja (Santo Agostinho e São Tomaz de Aquino) afirmavam que a mulher não tinha alma, que era um ser inacabado e que deveria ser obediente ao seu senhor, o homem; não foram incluídas na cúpula da Igreja; na Inquisição foram identificadas como bruxas, muitas vezes, sofrendo abusos sexuais nos calabouços inquisitoriais…

Em culturas diferentes, a coisa não mudava muito, à mulher sobrava sempre as piores tarefas, a submissão ao homem e a falta de direitos. Mas, em um lugar ou outro, começaram a aumentar sua voz e se fizeram ouvidas. E de lá para cá, muita coisa mudou, o avanço das conquistas femininas se concretizaram de meados do século passado para cá. Dando a mulher os direitos e a igualdade tão bem merecida…

Nós, os homens, em verdade, somos o sexo frágil, dependentes de vocês e não aquentamos o tanto que vocês toleraram. Diante de todas as lutas e dificuldades que as mulheres passarão, podemos ter certeza de uma coisa, frágil é que elas nunca foram; e possam então dar razão ao grande compositor Erasmo Carlos“Mulher, mulher / Na escola em que você foi ensinada / Jamais tirei um dez / Sou forte, mas não chego aos seus pés!” Parabéns a todas vocês: SEXO FORTE!

Autor: 
Nelso Xavier

Consultor em Desenvolvimento Humano
Pedagogo
[email protected]

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