Doenças

Pressão alta – causas, sintomas e tratamento

A hipertensão arterial sistêmica (HAS), conhecida popularmente como pressão alta, afeta 30% da população brasileira, em especial as mulheres em idade reprodutiva e por se tratar de uma doença crônica, ou seja, que não tem cura, e que apresenta altos índices de mortalidade e morbidade, merece ser minunciosamente explicada.

 

 

“A hipertensão arterial sistêmica primária não tem cura quando instalada. Já a hipertensão arterial sistêmica secundária, ou seja, que foi provocada por alguma condição anterior possui cura, que é basicamente a resolução do problema base. Um grande problema causador de HAS secundária é a estenose da artéria renal, que induz ao aumento da produção de renina pelo rim, que por sua vez eleva a pressão arterial via eixo renina-angiotensina-aldosterona. Esta é uma patologia muito comum em jovens entre 19 e 30 anos de idade. Em outras palavras, sempre que um jovem apresentar HAS e não tenha fatores de risco associados, investigar fatores secundários.”

 

 

Todos nós possuímos um sistema cardiovascular, que é composto pelo coração, que funciona como uma bomba, impulsionando o sangue ao longo do nosso corpo e para o pulmão. O sangue é ejetado através dos vasos sanguíneos, em especial as artérias, para que este faça trocas gasosas e de nutrientes com os mais diversos tecidos do nosso corpo. Em outras palavras, o sangue leva o alimento até nossas células e recolhe o lixo que ela produziu.

 

 

Como assim, alimento e lixo dentro da corrente sanguínea?

 

Quando o sangue passa pelo pulmão, troca gás carbônico que ele recolheu das reações gasosas ao longo do seu trajeto por oxigênio, que é o combustível das células. Além disso, o sangue ejetado pelo coração, quando retorna passando pelo fígado, agrega nutrientes em sua composição e também os distribuem ao longo do corpo humano.

 

Como o sistema cardiovascular é fechado, ele trabalha sobre pressão, ou seja, quando o coração contrai e ejeta o sangue, ele exerce pressão sobre toda a corrente sanguínea. O objetivo disso é simples: garantir que o sangue chegue nos pontos mais distantes do nosso corpo e oferte oxigênio e nutrientes para todas as nossas células.

 

A pressão é composta de dois vetores: sistólico e diastólico. A pressão sistólica representa o momento em que o coração ejeta o sangue e se esvazia. Já a pressão diastólica representa o momento em que o coração está enchendo novamente. Porém, isso acontece quase simultaneamente.

 

 

 

Os valores aceitáveis para a pressão sistólica varia de 90mmHg à 140mmHg e a diastólica de 60 a 90mmHg. Sendo assim, o indivíduo que apresente pressão arterial acima de 140x90mmHg está hipertenso.

 

 

Até agora, elucidei para vocês o funcionamento normal do sistema cardiovascular. De agora em diante, vamos entender o que acontece neste sistema que faz com que a pressão arterial se eleve, levando o indivíduo a ser portador permanente de hipertensão arterial sistêmica.

 

Imagine que você está em uma grande avenida, no seu carro, dirigindo a 80km/h, e junto com você existem mais 1.000 carros. Sem problema, afinal, a avenida é larga e compota todo mundo. No outro dia, você vai passar por essa mesma avenida e não consegue passar de 40km/h, é a mesma quantidade de carro, porem, em um determinado ponto, existe uma equipe da prefeitura trabalhando e afunilando o trânsito, fazendo com que você, a todo custo tente chegar na frente dos outros, afinal, tem hora para chegar e alguém te espera. Este fato ilustra bem a hipertensão arterial sistêmica, que basicamente é causada por um aumento da resistência vascular, ou seja, o sangue encontra dificuldades em fluir pelos vasos.

 

Crédito da imagem: www.isaudebahia.com.br

 

O que faz a pressão arterial subir?

 

O problema de base, ou seja, aquele que dá início ao processo patológico na maioria das pessoas com pressão alta é a associação de uma alimentação rica em gordura, sal e açúcar e o sedentarismo.

 

A gordura presente no alimento é a precursora da formação das placas ateroscleróticas, que surgem logo após as celulas estarem saturadas de armazenar tantos lípides em seu interior. Este processo entope as artérias. Veja: nossa celulas, precisam de colesterol, ou melhor, seus derivados para estruturar seu citoesqueleto, ou seja, a estrutura da parede celular. Quando os níveis de colesterol são muito altos, a celula internaliza-os até certo ponto, sob a pena de enrrijecer sua parede e consequentemente a parede do órgão que compõem, em especial os vasos sanguíneos. Depois de ultrapassar o limite fisiológico de absorção deste conteúdo, a célula desliga os receptores para colesterol em sua superfície e este passa a vagar pela corrente sanguínea, oxidando-se e tranformando-se em placas ateroscleróticas.

 

O açúcar também participa deste processo. O sal em excesso é um mineral que provoca vasoconstrição, ou seja, reduz o calibre dos vasos e com isso, o sangue flui com mais pressão, e por fim, não menos importante, a falta de exercício contribui para que a pessoa não gaste suas reservas energéticas, não desenvolva a musculatura e faz com que o coração trabalhe exacerbadamente para suprir tecidos que não deveriam existir. Estou me referindo ao tecido adiposo, ou seja, onde a gordura fica armazenada após ser convertida em ácido graxo. Associado a estes fatores, a idade também contribui com o surgimento da hipertensão arterial. Com o passar dos anos, as artérias vão perdendo a sua elasticidade, ficando mais rígidas e consequentemente, o coração precisa bombear o sangue com mais força, para que este chegue no seu destino. Existem outros fatores que elevam a pressão arterial também, mais que não causam uma doença crônica e por isso discutiremos sobre eles em outra oportunidade.

 

 

E como eu sei se tenho hipertensão arterial?

 

Se você está acima do peso, não pratica esportes ou faz atividades físicas regularmente, alimenta-se mal, fica cansada a pequenos esforços como ao subir escadas ou ruas inclinadas, está com o colesterol LDL elevado, o HDL baixo, triglicerídeos elevados, TGL elevado, e pressão arterial acima de 140x90mmHg, você está próximo de entrar para o grupo dos 30% da população brasileira que possui hipertensão arterial.

 

O grande problema do aumento da pressão arterial são suas complicações que envolvem a formação de placas ateroscleróticas, ou seja, obstruções nas artérias, que por sua vez podem cursar com infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, arritmias cardíacas, infartos intestinais, infartos renais, ou de quaisquer outros órgãos, insuficiência cardíaca, doenças de vasos periféricos que causam isquemia e necrose nos membros, o que pode levar a amputação, sem falar do aumento do risco, quando associada à outras síndromes como as metabólicas, incluindo aqui a diabetes mellitus tipo 2.

 

O tratamento da hipertensão arterial sistêmica se baseia em fármacos que têm como objetivo regular o fluxo sanguíneo e devolver o equilíbrio ao sistema. Para isso, eles aumentam a força de contração do coração ou dilatam os vasos sanguíneos. Existem várias classes desses medicamentos: diuréticos, inibidores de canal de cálcio, de ação direta na musculatura lisa, inibidores da ECA, beta bloqueadores, bloqueadores de receptor adrenérgico (BRA), entre outros. Cada um tem uma indicação diferente e o uso indiscriminado destes fármacos podem levar ao óbito.

 

A única forma de prevenir a hipertensão arterial sistêmica é levando uma vida sadia, que inclui alimentação adequada, exercícios físicos regulares, evitar stress e perturbações emocionais mais prevenção.

Caso exista na sua família pessoas com hipertensão, faça check-ups anuais e leve uma vida sadia!

Click para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir