Mononucleose infecciosa: a doença do beijo

por | julho 12, 2019

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Cuidado! O beijo tambu00e9m pode transmitir doenu00e7as.

Também conhecida como doença do beijo, a mononucleose é causada pelo vírus Epstein-Barr, da mesma família dos vírus causadores do herpes.

Sua forma de transmissão ocorre basicamente pela saliva (por isso doença do beijo!), pois o vírus infecta seletivamente os linfócitos B (células de defesa) presentes nas amígdalas e as células epiteliais da orofaringe. A doença afeta cerca de 90% da população mundial, sendo que a grande maioria dos infectados é assintomática, ou seja, não possuem nenhum sintoma da doença. Há duas formas diferentes do vírus: o Epstein-Barr tipo 1 (EBV-1), que afeta principalmente indivíduos das civilizações ocidentais, e o EBV-2, endêmico em regiões africanas.

A característica principal do vírus é possuir DNA como seu material genético, pois ao entrar na célula hospedeira, no caso seres humanos também com material genético de DNA, ele se instala no núcleo da célula e ali permanece por toda a vida do hospedeiro, seja na forma ativa, levando às manifestações clínicas ou em latência, quando o portador permanece assintomático.

O quadro clínico é caracterizado por um bom estado geral, ausência de anemia, febre intermitente, linfonodomegalia generalizada (aumento de linfonodos/íngua), hepatomegalia (aumento do tamanho do fígado), esplenomegalia (aumento do tamanho do baço) e em 50% dos casos também pode haver uma faringite bem exuberante. Excepcionalmente pode ocorrer icterícia, que é a coloração amarelada de pele e mucosas, edema nas regiões palpebral e periorbital e petéquias em palato.

O diagnóstico é feito por meio da história do contágio, manifestações clínicas e confirmado por meio de exames laboratoriais. O hemograma é inespecífico para diagnosticar a doença, pois há inúmeras outras condições que também cursam com leucometria (contagem de células brancas) normal ou aumentada, contagem de linfócitos também normal ou aumentada e atipia celular (em 10 % dos casos). O melhor e mais específico exame para diagnóstico de mononucleose é o Elisa anti-EBV, uma técnica laboratorial que detecta as quantidades sangüíneas de anticorpos IgM e IgG formadas em resposta ao vírus Epstein-Barr.

A doença pode evoluir com inúmeras complicações como: anemia hemolítica auto-imune, trombocitopenia, infecções bacterianas secundárias, e mais raramente com meningite, paralisia facial, ruptura de baço e devido ao fato do Epstein-Barr vírus possuir um grande potencial oncogênico, pode também complicar com neoplasias como o linfoma de Hodgkin, carcinoma anaplásico de orofaringe e linfoma de Burkitt.

A mononucleose infecciosa possui um curso clinico normal de cerca de 4 semanas, ou seja, após 4 semanas do aparecimentos dos primeiros sintomas, a doença regride espontaneamente, O tratamento com fármacos específicos como Aciclovir e /ou Prednisona só é necessário em casos de hipertrofia de amígdalas, num grau tão exacerbado que comprometa a respiração e/ou a deglutição do indivíduo. Para aliviar os sintomas é importante aumentar a ingestão de líquidos (no mínimo 3 litros por dia), fazer gargarejos com água e sal para reduzir a dor de garganta, fazer repouso e o uso de analgésicos e antitérmicos também pode ser prescrito.

Uma vez adquirido o vírus ele permanece no organismo do infectado por toda a vida. A transmissão é feita frequentemente na época de aparecimento dos sintomas, desta forma evite beijos na boca e o compartilhamento de objetos íntimos como escova de dente, garrafas d’água, copos e talheres nesta época.

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