HPV: abordagem, aconselhamento e tratamento

por | julho 10, 2019

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O HPV é um vírus é o agente mais associado ao câncer do colo uterino nos dias atuais. Por isso, seu estudo merece atenção, bem como a prevenção, tratamento e aconselhamento.

Autora:
Marcela Campos dos Reis

Abordagem

O papiloma vírus humano, conhecido também como HPV, é um DNA-vírus específico do ser humano, não causando lesões em outras espécies. Por ser um vírus, ele precisa da célula humana para sobreviver e replicar. De acordo com a sequência de genes do DNA do vírus, o HPV pode apresentar diversos tipos e alguns deles têm potencial oncogênico (capacidade que o vírus tem de causar o câncer).Existem mais de 90 tipos de HPV no qual os mais comuns são divididos entre vírus de alto e baixo risco. Dentre os HPV de alto risco, assim denominados por possuírem potencial oncogênico, os principais são os 16 e 18, enquanto os de baixo risco principais são os 6 e 11. Esses de baixo risco não causam câncer, mas sim condilomas acuminados (verrugas genitais), popularmente conhecidas como “crista de galo”. Os vírus de alto risco estão diretamente relacionados com o aparecimento do câncer de colo de útero e por isso dá-se tanta atenção à infecções do gênero.

Atualmente, a infecção por HPV é a doença sexualmente transmissível (DST) mais frequente, ou seja, é a principal infecção viral transmitida pelo sexo. A faixa etária de mulheres com maior índice de contaminação é entre 20 e 40 anos, fato que pode ser explicado por ser um período da vida em que se é mais sexualmente ativo. A contaminação viral ocorre por contato direto com a região infectada. A transmissão via objetos é muito difícil e ainda não confirmada cientificamente, uma vez que não se sabe quanto tempo o vírus consegue viver fora da célula do hospedeiro. O vírus é altamente contagioso, sendo possível contaminar-se com uma única exposição. Qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de atividade sexual, incluindo o contato genital, pode contrair o HPV. Esse microrganismo infecta células epiteliais e por isso se aloja locais como pele e mucosas.

Existem três formas de infecção: clínica, subclínica e latente. A primeira é constituída pelas lesões condilomatosas (verrugas genitais), em que os sintomas são percebidos (pela paciente ou pelo médico) e diagnosticados sem nenhum tipo de exame complementar. Já a infecção subclínica é composta pelas lesões no colo do útero, nas quais só podem ser percebidas por um aparelho chamado colposcópio ou através de uma análise microscópica (através do papanicolaou ou biópsia). O último tipo de infecção é o mais comum, a pessoa que apresenta o vírus em latência não possui nenhum tipo de sintoma ou lesão, a única forma de descobrir se está contaminado é através de exames que utilizam técnicas moleculares como PCR (reação em cadeia da polimerase).

Os condilomas acuminados são tumorações benignas que atingem principalmente os pequenos lábios da vulva ou pênis (glande e sulco bálano-prepucial) e região anal. Essas lesões se apresentam na forma de verrugas de número de tamanho variáveis. Elas são esteticamente desagradáveis e em situações extremamente raras evoluem para algum tipo de câncer. Essa é a forma infectante em que o risco de transmissão é maior, por isso é tão importante o uso do preservativo. As lesões no colo do útero são classificadas em três tipos de NIC (neoplasia intraepitelial cervical). Ter uma lesão caracterizada como NIC significa que existe infecção por um ou mais tipos de HPV de alto risco, ou seja, essa lesão pode levar a um câncer se não tratada. Faz-se essa divisão de NIC I, II e III para avaliar o quão próximo essa lesão está de se transformar em um câncer.

Aconselhamento:

Ao perceber qualquer alteração externa na região genital deve-se procurar um ginecologista ou urulogista para se faça o diagnóstico. É importante, primeiramente, que o médico conscientize o paciente de que se possui uma DST, logo alguns cuidados devem ser tomados: tratamento o mais rápido possível das lesões; acompanhamento médico semestral; encaminhamento do parceiro para investigação; realização de exames em busca de outras DSTs e uso obrigatório de preservativo durante as relações sexuais. É comum que após a descoberta da infecção os pacientes se sintam constrangidos e culpados, é papel do médico tirar todas as dúvidas do paciente, orientar a mudança de hábitos sexuais e encaminha-lo ajuda psicológica caso seja necessário apoio emocional.

Tratamento:

É essencial que após o diagnóstico da gravidade, número e tamanho da lesão se inicie o tratamento. O objetivo da terapia é, além da eliminação da lesão, prevenir a evolução maligna da doença e diminuir a chance de transmissão para o parceiro ou para o filho (caso a paciente esteja grávida). A escolha terapêutica vai depender da disponibilidade de recursos do meio e da paciente, dos efeitos colaterais e eficácia dos diversos tratamentos e do estado imunológico do paciente (pessoas transplantadas, em hemodiálise ou portadoras do HIV tem imunidade baixa e, por tanto, o tratamento deve ser mais intenso). Existem três opções de tratamento: químico, por meio de imunomoduladores e o cirúrgico.

Dentre os medicamentos utilizados no tratamento químico o principal é o Ácido Tricloroacético, porque possui poucos efeitos colaterais e pode ser administrado em grávidas. Esse ácido é indicado para extermínio de verrugas externas ou internas, uma vez que destrói as células epiteliais no local em que é aplicado. Deve ser aplicado apenas na lesão, pois pode afetar células saudáveis também. Os outros agentes desse grupo são antimitóticos que podem apresentar muitos efeitos colaterais, como a Podofilina ou Podofilox, ou são usados em lesões resistentes ao Ácido Tricloroacético.

O tratamento com imunomoduladores pode ser feito, principalmente, através do Interferon, Imiquimod ou Retinóides, sendo os dois primeiros mais usados em verrugas genitais e o terceiro pode ser usado tanto para lesões externas quanto para prevenir a malignização de lesões no colo. O tratamento cirúrgico normalmente é feito em casos mais avançados e pode ser feito pela Conização clássica com bisturi (retirada do colo do útero utilizado em casos mais graves); Excisão com alça de cirurgia de alta frequência – CAF (retirada de parte do colo do útero, causando mínimo dano ao órgão); Crioterapia (congelamento da lesão com nitrogênio líquido ou CO2) ou Laserterapia (procedimento bem eficiente, com baixa chance de retorno da lesão, porém mais caro). A escolha do método cirúrgico vai depender principalmente da extensão da lesão da paciente.

Lembrem-se: O tratamento adequado só poderá ser prescrito por um médico. Em hipótese alguma, pratique auto medicação.

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